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IPI e Indústria no Brasil

Agora o governo federal incentiva novamente o consumo para a compra de automóveis, reduzindo o IPI e diminuindo o IOF no crédito para pessoa física. Bom para o comércio que anda meio desaquecido, principalmente nesse setor.

Já há anos temos visto essas ações de curto prazo surgirem para sacolejar um pouco os nossos indicadores de crescimento. No entanto, os números referentes à indústria demonstram claramente um processo de desindustrialização no Brasil. Como não temos ações de longo prazo, planejamento estratégico, enfim, um projeto de nação, as consequências da falta de competitividade do país vão se tornando visíveis e difíceis de serem jogadas mais uma vez para debaixo do tapete.

Burocracia elevada, carga tributária elevadíssima e uma legislação trabalhista antiquada não permitem um desenvolvimento industrial capaz de concorrer com outros países desenvolvidos e emergentes. Além disso, existem outros custos arcados pelas empresas que se relacionam com a infraestrutura do país, como estradas, portos, ferrovias, os quais dependem de investimentos públicos. A questão é que muitas vezes não vemos celeridade e senso de urgência na aplicação dos recursos, o que torna a vida da indústria mais complexa ainda.

Neste momento somos também informados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) que o trabalhador da indústria brasileira custa para a empresa 183% a mais que o valor do salário mensal bruto registrado em carteira. Como podemos ser uma nação vitoriosa dessa forma?

Enquanto não se mexer com punhos corajosos nas bases da economia, do sistema político, do modelo educacional e da própria democracia brasileira, continuaremos com medidas superficiais de estímulo à economia, tornando o país desprotegido e despreparado para os próximos anos.

Por que o governo não se espelha um pouco nos modelos de gestão empresariais de êxito, aplicando algumas ferramentas que levaram organizações e países deficitários ao sucesso, como pode ser observado na história mundial recente? Gestão da inovação, foco em resultados, meritocracia, estudo de cenários, acompanhamento de planos e indicadores, enfim, existem muitos modelos interessantes que podem ser colocados em prática pelo nosso governo.

O real desenvolvimento do Brasil passará por vontade séria de políticos, líderes e cidadãos comprometidos, capazes de enxergar o curto e o longo prazo. Assim, só sairemos dessa superficialidade através de planejamento estratégico e profissionalização da gestão pública. Esse é o primeiro passo. Caso contrário, perderemos o bonde do desenvolvimento.


Guilherme Said é Administrador, professor da UFC e consultor empresarial. Mestre em Administração e Controladoria pela UFC e Diretor de Projetos de Consultoria da SAIDGARIS Desenvolvimento Empresarial e Humano.

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